Todo artista, de qualquer área, já passou e ainda passa por momentos de barreiras. Não consegue criar nada e até parece que é o primeiro dia sendo artista, como se tivesse esquecido de algo que era tão natural quanto respirar.

 

Algumas pessoas dizem para esquecer do bloqueio e viver a vida, outros desenvolvem técnicas para driblar esses momentos, e até sentar e começar a escrever esse post, eu também não sabia o que fazer ou o que já faço quando o temido chega. E essa é uma das belezas de escrever, até acidentalmente você descobre sobre si mesmo.

 

Provavelmente a minha solução não é inovadora e nem inédita, mas às vezes precisamos ler o óbvio, especialmente quando está tão na nossa cara que chega a nos cegar.

Sinto que o mais difícil não é gerar alguma ideia ou realizar um projeto, nós temos ideias, só descartamos automaticamente, antes mesmo de formulá-las melhor.  Eu sou a pior crítica do próprio trabalho, pela dificuldade em olhar para a situação de um ângulo amplo e neutro, poderia até tentar atuar e fingir ser alguém do lado de fora, mas é muito difícil.

 

Até que percebi, atrasada, um hábito que desenvolvi em algum momento: anotar coisas irrelevantes, ou, só anotar.

PORQUE ANOTAR PODE FAZER TANTA DIFERENÇA?

 

Como tenho vários hobbies, desde pintura até reconstrução de bonecas, a variedade de projetos possíveis é extensa, então uma simples anotação tem bastante espaço para se desenvolver. Mas foi necessário treinar meu cérebro a parar de descartar tudo que não se alinhava com a minha ideia, ou simplesmente com um conceito abstrato nos estágios iniciais.

Eu comecei a pensar “talvez seja útil, mesmo que demore pra isso”, e apesar de ser algo simples, me fez reparar em momentos, pensamentos ou emoções complexas e de situações específicas, que talvez já fossem comuns ou aconteceram antes e passaram despercebido.

 

Sendo uma artista que foca em temas fantásticos e medievais, anotar detalhes sobre a vida real e comum me ajudou a trazer o aspecto único do ser humano para os mundos de fantasia. Eles precisam do fio que conecta aquele dragão poderoso, o mago ancião, ou aquela criatura completamente diferente do que já vimos, aos seus sentimentos, suas dores, seus medos, seus sonhos, sua vida. Sua vida normal e ordinária. E isso não se restringe apenas a temas mais lúdicos.

O QUE FAZER COM AS ANOTAÇÕES?

 

Desenvolver as anotações em ideias exercita a criatividade e nos ajuda a pensar igual criança novamente, com aquela facilidade em sair da caixa, derrubando barreiras que criamos quando crescemos. Dá pra fazer isso de diferentes formas, como por exemplo:

 

  1. Anotar palavras que possam ter ligação e representam algo na sua vida, sortear aleatoriamente e criar um sentido para elas através de uma história, ou projeto, ou simplesmente criar algo;

  2. Escolher um sentimento e criar “raízes”, como um mapa mental, a partir dele;

  3. Procurar ou criar metáforas unindo uma anotação ou observação com a outra.

O foco principal é a autocrítica, não necessariamente a criatividade. É sobre dar valor até para os acontecimentos mais mundanos e ordinários que estão presentes no nosso dia-a-dia, e entender que para outra pessoa, ou pra si mesmo, eles podem significar mais do que você imagina.

Coloque esses detalhes na sua arte.

No fim do dia, são os detalhes insignificantes que fazem alguém não se sentir tão…insignificante. E sim se sentir visto.

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